Seria cômico se não fosse trágico…

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Diversas são as barbaridades que acontecem em nosso cotidiano. Com a passividade inerente às nossas entranhas, a única forma de extravasar é dando umas boas gargalhadas…

Hoje foi um daqueles dias que a gente tira pra resolver pepinos. Como todo dia 07 é o tão esperado “dia do pagamento” (e de fazer pagamentos) decidi também passar no banco para saber por que não posso mais fazer compras no cartão de crédito.  Na hora bem que me perguntei: por que eu estou fazendo tanta questão de ganhar mais dívidas? Mas o espírito (de porco) consumista falou mais alto. O banco é o amigo diabo: ganho uma bolsa de 300 contos, eles me dão um limite de 200 no cheque especial e um crédito de 600 no cartão. Fazendo os cálculos, +300 -200 -600 = 500 devedor + juros + transporte + alimentação + material da faculdade = UM MEGA PEPINO!

Sempre gosto muito de observar o comportamento do funcionário público ou privado quando o superior não está por perto. A cada atendimento, pausa para mexer nas gavetas, levantar, ajeitar o material de trabalho, sentar, atender o telefone, checar e-mails, olhar o celular, ir ao banheiro, escreve qualquer coisa, falar com o fulano, tomar café, volta pro computador, respira e chama o próximo. Este procedimento é quase ritualístico. Sempre há também a proporção de um competente a cada quatro. Enquanto um atende cinco os outros três atendem cada um, um. Esta sim é uma boa militância trabalhista implícita, nunca divulgada, mas sempre praticada. O funcionário tem que mostrar a competência suficiente para não ser demitido e no resto do tempo fazer valer o salário mal pago vadiando no trabalho (ver: princípio da administração científica – Taylor).

Ao entrar na agência fui pegar minha senha: P329, hora de chegada: 12:23h a chamada estava no número P318. Dez pessoas na frente, 3 pessoas atendendo. Na “lógica” pensei: com uma média de atendimento de 7 min para cada pessoa, com 3 funcionários atendendo, 7min x 10pessoas /3 funcionários  = 23,33 min. Aumentando a margem, 25 minutinhos; tempinho razoável até para um banco mesmo que a lei “proíba” um prazo de espera superior a 15min. Daria até tempo para fazer um almoço gostoso no Maria das Tranças… Quem disse que a matemática é uma ciência exata e que nunca falha não esteve num banco na hora do almoço. Até a famosa “Lei da Vadiagem no Trabalho” de Taylor mereceria revisão alertando que a tendência à vadiagem aumenta quando o funcionário está com fome.

13:07h eu ainda me encontrava sentada no banquinho já que tive a sorte que muitos não tiveram de achar um para sentar. Dois dos três funcionários estavam atendendo os mesmo clientes e apenas uma funcionária mais ágil se ocupava de atender os então clientes já bastante raivosos. A funcionária mais gordinha se encarregou de, assim que terminado de atender a única cliente que se ocupara nos últimos 50min, sair para comer aquela lasanha de queijo que estava me aguardando no Maria das Tranças e a senha se encontrava, pasmem, ainda no número P324 (ou seja: um cliente para cada um dos dois funcionários mais “militantes” e cinco para a outra funcionária).

A senhora sentada ao meu lado, ao olhar para fora fitando a fila dos caixas eletrônicos falou: “ta vendo aí porque a máquina está substituindo o homem? A fila da máquina anda que é uma beleza…”. Nesta hora, com fome e tristeza pensei até em concordar com aquilo, mas lembrei do desemprego estrutural e dos exércitos de reserva. Fiquei calada. À medida que os resmungos iam aumentando (“essa fila não anda”, “nós é que pagamos seus salários”, “funcionário público é assim”, “o banco deve atender em 15min”, “cadê o resto dos funcionários?”, etc.) eu fui imaginando que o resultado seria um levante, um quebra-quebra. Neste momento, uma idosa que havia pegado a senha P337 e depois trocado para um preferencial N907 gritou revoltadíssima: “que sacanagem! Eu peguei uma senha preferencial e agora meu número em vez de diminuir aumentou lá pra casa do caralho!!!!”. Pronto! Um motim para a revolução? Não, uma gostosa e duradoura gargalhada de clientes e funcionários aliviando o clima e descontraindo a todos.

Por ironia do destino, chegando minha vez de ser atendida, o funcionário olha pra minha cara e diz: “O desbloqueio do seu cartão você faz em um minuto lá no caixa eletrônico”. legal, mas o safado me fala isso 13:35 da tarde! Eu tive que esperar mais de uma hora na fila para descobrir que a máquina faz esse serviço em menos de um minutinho????? Puta que pariu!

1 Comentário

  1. EXCELENTE

    KKKKKKKKKK


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