Ontem caiu a primeira chuva de outono… Não havia folhas secas em meu caminho e, mesmo que no livrinho do primário a estação fosse sempre representada por aquela árvore seca e com folhas caídas, esse nunca fora o meu outono. Como notar? Se as estações sempre passaram por mim sem muita percepção, sem muita expectativa, sem muito significado? Como notar?
- Logo eu… Sempre tão verão!
Pés inchados; roupa encharcada; olhos turvos… Sim, dei-me conta, é chegado o outono! Mas, como notar se em plena Av. Rio Branco não há outono? São Apenas as mesmas folhas [roupagem de uma paisagem imutável]: carros, pessoas, pessoas, carros. Onde cairão as folhas da estação? Na próxima estação do metrô? Mas agora minha pele é feito folha e minha alma feito árvore; em mim, eterno verão, o outono chegou… “Comprem todos agasalhos!” O outono só me dá uma certeza: o inverno não tarda! Mas eu, sempre tão verão, detenho os olhos apenas na primavera. Quem entende? Alguns tão verão, outros tão inverno…
Na primeira chuva de outono atravesso praças e avenidas que sequer recordo o nome; e eu, como muitos outros milhares de rostos em suas conduções, enfrento o outono que literalmente cai, sem folhas, sob nossas cabeças! Por que sentir-me assim tão outono?
- Logo eu? Sempre tão verão…
Não, eu não posso! Não dá pra me sentir outono tendo ao meu lado tantos invernos… Aquele senhor ali encolhido na marquise da loja de departamento poderia ser o meu avô! Como notar? Na Av. Rio Branco as estações cruzam-se todo o tempo; mas como notar?
- Logo… Eu, sempre tão verão: outono, inverno!
3 Comentários
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Oooo amiga
q lindo e q triste…
to c saudade de vc , viu
Obrigada, Nathy! Tbm tou morrendo de saudade de vc!
bjãoooo
Eu me senti meio inverno lendo…….
logo eu sempre tão inverno…..rsrsrsrsrs
tá danadinha esta menina!