Não se fazem mais Clark Gables como antigamente…

 

Tom Cruise. Eis meu modelo universal de homem-perfeição… E os gentlements de plantão podem até discordar de minha opinião, mas eu duvido que as ladys o façam… Como comparar qualquer mortal a um verdadeiro herói capaz de realizar missões impossíveis? A meu ver, há muito tempo o ator Tom Cruise se tornou indissociável dos seus personagens. Tanto, e a tal ponto, que vê-lo como um “homem real” se tornou uma missão impossível! Obviamente, seria um crime da minha parte fazer referência aos seus filmes de ação sem sequer mencionar filmes maravilhoso como “Nascido em 4 de julho”, “Vanilla Sky” ou “de olhos bem fechados”. Entretanto, ninguém pode negar que o ator é conhecido, mesmo, pelos filmes em que salva o mundo sem perder o charme.

Quanto aos rapazes, não sei, mas suponho que qualquer garota que saia do cinema depois de tanta demonstração de virilidade e altivez se torne uma pessoa um pouquinho mais decepcionada com os homens comuns pois, ainda que não sejam capazes de realizar mais do que as obrigações rotineiras, eles não poderiam ser encantadores, inteligentes, apaixonados, românticos, cavalheiros, sensíveis e perfeitos como todo bom galã de Hollywood? Claro que o galã não é apenas tudo isso que falei aí acima [que já é coisa demais!]; ele ainda precisa ser másculo, altivo, viril, sublime, bem-sucedido, impossível e, tchan tchan, tchan tchan… HERÓI. Ah, sim, este detalhe não pode faltar! Ele tem, obrigatoriamente, que salvar a donzela, o gatinho em cima da árvore e, de quebra, o mundo!

Eu não sei quando é que as coisas começaram a mudar [vai ver o Rambo, o James Bond e o Super-Man tenham algo a ver com isso], mas toda vez que vejo um filme das décadas de 30, 40 e 50 fico delirando de paixão pelos “homens de época”! Eles em nada se assemelham aos galãs da atualidade… São muito mais carnais, palpáveis, possíveis que os nossos… E posso estar redondamente enganada, mas as “donzelas”, por sua vez, também me pareciam muito mais altivas, mais donas de si, mais dominadoras que as de hoje… Não é que eu esteja querendo generalizar, mesmo porque o que chega do cinema antigo à nossa mesa é sempre o clássico… Mas, se este modelo de galã um dia foi capaz de atrair ao cinema, por que hoje seria diferente? Ainda que muita coisa tenha mudado nestas décadas, o galã de hoje é uma resposta a quê?

Hoje, depois de muito tempo sem ver um clássico antigo, assisti The Hucksters (Mercador de Ilusões), de 1947, estrelado pelo maravilhoso Clark Gable. E, como sempre acontece quando vejo um clássico, depois de vê-lo, tive vontade de ter nascido nesta “época dos homens reais”. Quer dizer… dos “homens reais” não, dos “homens possíveis”. O galã de 30 a 50 não precisava ser necessariamente lindo como o de hoje… [e Clark Gable está longe de ser enquadrado como o modelo universal de homem-perfeição]. Ele também não precisava salvar o mundo e, na verdade, ele nem precisava ser o poço da honestidade ou aquele bem sucedido. Ele podia não ser um “homem real”, mas certamente era um “homem possível”. Aquele que, com um pouquinho de esforço e um sex-appeal natural, pode transformar qualquer carinha da esquina num verdadeiro Gene Kelly da pós-modernidade! [risos…].

Tá bom, tá bom… Não é para tanto… Digamos apenas que  os homens de hoje podem, pelo menos, tentar aprender um pouquinho mais com os “homens de época” afinal, nós mulheres não somos tão exigentes assim…

Voltando… O que não pode escapar à vista, é que algo [ou muita coisa] entre 30 e hoje aconteceu para que o conceito de galã mudasse tanto a ponto de torná-los tão super-homens. Talvez o galã de hoje esteja muito mais preocupado em agradar ao homem comum do que à mulher e, para isso, estar sempre acima do padrão da normalidade. So… Enche-se o cinema de super agentes da CIA cuja beleza e o comportamento tipo-ideal-homem-perfeição-pós-moderno são elementos agregadores para agradar também às senhoritas que, na maioria das vezes, vão ao cinema para ver um filme do tipo por insistência do namorado. Entretanto, Se tudo está tão obviamente diferente, não podemos esquecer que cinema de 1930, por seu lado, era aquele que sofria uma verdadeira revolução: a transição do cinema mudo para o falado; e, neste sentido, pode ser meio esdrúxulo fazer qualquer tentativa de aproximação dos dias de hoje com um cinema que estava aprendendo a engatinhar. entretanto, toda vez que vejo os filmes de sucesso do passado, é impossível não me perguntar quando foi que a criatividade e a simplicidade passou a ceder espaço para as super-tramas e seus super-efeitos.

Quanto mais nos afastamos de 30, mais saudosa fico… [e olha que eu nasci no final da década de 1980]. Me faz falta a simplicidade, o glamour, e, sobretudo, me faz falta o galã. Aquele que era cheio de defeitos e ações irracionais; aquele que nem sempre era tão bem intencionado mas que conseguia se esquivar das armadilhas do caminho não pelos seus dons especiais, mas pela sagacidade e cinismo. É eu sinto falta do “homem possível” que, ainda que por vezes agressivo e capaz de magoar com palavras sua amada, quando estava ao seu lado, tudo parecia ser superável. No final das contas, apesar de todos os defeitos e tropeços, o que era necessário a um final feliz? Se me perguntas, eu respondo: para que mais que um pedido sincero de desculpas e as velhas juras de amor eterno na livre tradução do ardente e, ao mesmo tempo, inocente beijo? Nada de explosões, nada de medalhas honrosas por conquistas espetaculares… Nada disso! A única explosão capaz de ser percebida era a dos corpos desejosos; e, respondam-me, há conquista mais espetacular que a do ente amado? Aos amantes dos efeitos especiais eu pergunto: que necessidade há de fazê-los aliados? Um por-do-sol ao fundo e uma doce melodia não são efeitos mais que suficientes para esmorecer qualquer coração endurecido? Sim, sim, não há quem negue: o “homem de época” era realmente irresistível!

E, se me permitem um trocadilho ridículo:

Toms Cruises que me perdoem, mas Clark Gable é fundamental!”
E agora, um presentinho para quem não se importa de ver o final de um filme antes de assistí-lo:

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3 comentários em “Não se fazem mais Clark Gables como antigamente…

  1. Deise disse:

    Muito bom!

    Concordo plenamente!

    Troco meia dúzia de galãs da Hollywood atual por um Clark Gable.

    🙂

  2. ramon disse:

    no dia que os galãs descobrirem que o verdadeiro charme está no Ser simplesmente mais do que Parecer aí sim o fundamental estará garantido!

  3. Gabriel disse:

    Efeitos especiais despertam muito a imaginação em hollywood, vai ser difícil surgir novos modelos de homens possíveis, agora homens possíveis são redundantemente possíveis.

    Gostei do website, continue assim…

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