Schopenhauer pode ter razão

Tá, tá bom, tá bom, ainda que muita gente discorde, Schopenhauer pode, de fato, ter razão… O amor pode mesmo ser um mero dispositivo, um impulso à reprodução e, talvez, a felicidade, como estamos eternamente buscando, pode não existir! Talvez, realmente, ninguém seja feliz e só tenhamos poucos e espúrios momentos de felicidade em meio a uma existência vazia de significado. Concordo, realmente, que isso faz todo o sentido…

Sartre também, por mais absurdo que possa parecer, pode realmente ter algum mérito ao afirmar que não há sentido para a existência humana, que nossa consciência é inabitável e que, por conseqüência, só a atingimos por meio da “nadificação” do nosso ser. Ele pode estar certo, de fato, ao afirmar que, por sermos uns “nada” largados no mundo à própria sorte, a angústia de “nada ser” seja nossa situação perene. Confesso até que nada seria mais justificável que reconhecê-lo certo por afirmar que tentamos mascarar esta existência vazia para enganarmo-nos, agindo, deste modo, para conosco mesmo de “má-fé”

Nietzsche, o grande rei do nilismo, por seu lado, com todo o seu pessimismo sobre a bondade humana, pode ter razão ao desconfiar que somos seres utilitaristas e que pensamos unicamente em nosso bem individual buscando sempre a maximização de nossa existência. Pode ele até, como Sartre, estar certo ao dizer que o indivíduo precisa buscar o sentido de suas próprias ações por ser o único responsável por elas. Freud pode animalizarmo-nos o quanto quiser afirmando que o que nos move são impulsos sexuais e que toda a nossa existência possibilita-se ao sentido pela mera perpetuação da espécie.

Todos eles estão certos! Pode ser que nós sejamos isso mesmo e Sartre pode até ter me roubado o prazer de iludir-me. Schopenhauer poderia ter, simplesmente, me permitido acreditar que aquele sentimento pulsando em meu peito e mais forte que eu não era um casamento de aspectos biológicos ideais para a constituição de novos indivíduos perfeitos; Nietzsche, mesmo, o que custaria a ele me poupar ao fato de que o amor não é uma maximização utilitária? Eles não poderiam, um a um, simplesmente não me contar tais factualidades?

Tá certo, tá certo… Schopenhauer pode mesmo ter razão… Eu só me pergunto uma coisa: mesmo sabendo de tudo isso, proque não tá funcionando? “Má-fé”? Sei lá… Freud explica!

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