Sobre as cidades: o olhar turista

Até agora, nesta incrível caminhada, dentre muitas pequenas e médias cidades, passei por Assunción, Montevideo, Buenos Aires e Santiago. Desta vivência, dei-me por convencida de que cada lugar tem mesmo sua unicidade.

 (Montevideo)

Confesso que, apesar dos grandes esforços que desprendo num sentido contrário, meu olhar sobre as coisas ainda costuma ser o do turista.  Não é a melhor forma de se percebê-las, uma vez que simplesmente estarão lá independentemente deste olhar; a cidade apenas seguirá… Pulsando; movimentando-se; metamorfoseando; metamorfoseando ainda quando todos os olhares desligam-se, quando todas as luzes apagam, quando a cidade dorme… Ou melhor, ela não dorme; está sempre a postos ao olhar, está sempre viva!

Só agora percebo que a dinâmica rotineira das vidas que se intercruzam só pode, de fato, ser observada pelo olhar estranho, distante, atento e curioso do turista. Apenas ele é capaz de olhá-la de modo superficial e percebê-la enquanto um todo fechado em si mesmo. Ao andar por entre as ruas, ele não se integra; ao contrário, distingue-a de si facilmente.

Ao caminhar por entre as “calles” com o olhar turista, sinto como uma criança aprendendo a caminhar e a comunicar-se [pois, de fato, é o que ocorre]. Com o olhar inocente e infantil, todo movimento percorrido pelo olhar é sempre atento e predisposto ao belo, tingindo de poesia tudo à sua volta. Este olhar cauteloso e, ao mesmo tempo superficial é capaz até de tornar o feio, belo; ele tem sua estética, seu valor…

O olhar turista é superficial, aparente, não percebe a rotina, mas, ainda assim, ou… talvez até por isso, seja o único habilitado a vivenciá-la sem ser absorvido por ela.  Ao tomá-la pelo olhar nativo, eu via a cidade como um amontoado de carros, de pessoas, de intercâmbio, de corpos, de passagens, de caminhos; ainda a vejo assim, de certo modo, mas agora sob outro prisma. Ela expressa, nas suas construções, na sua diversidade de rostos similares, na rotina do seu dia e no deleite de sua noite, um modo de viver, de interagir que é único.

Decerto é necessário afirmar que muitos aspectos serão sempre [ou cada vez mais] igualáveis em qualquer canto do mundo: haverá cada vez mais fast foods, cada vez mais outdoors, cada vez mais estilos de vestir globalizados, cada vez mais muros pichados com mensagens anti-sistêmicas, cada vez mais pedintes… Entretanto, ouso-me a falar que isto não afetará a identidade das cidades. Magicamente a cidade sempre incorpora estes corpos estranhos [de coisas a indivíduos] que somam-se a ela e incorporam-na dentro de si. Aos poucos o olhar turista experimenta a cidade.

A cidade é viva! Já havia dito isto… Como um organismo, como células que interagem e movimentam-se. Coisas e pessoas interconectam-se através das avenidas, das ruas, dos becos. Naturalizá-la não é um desafio, é uma condição e, inevitavelmente, de tanto andar pelas calles, o indivíduo acaba tornando-se uma extensão dela a caminhar sob o olhar estranho, curioso, atento e distanciado do turista.

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Sobre as fronteiras…

É uma linha, um muro, uma árvore, uma ponte. Às vezes a fronteira é interna; um escape entre o corpo e o mundo externo. Pouco importa! O que distingue as fronteiras físicas psíquicas, geológicas?

Indivíduos, apitos, barreiras, passaportes, “excedências”… Sempre há algo ali a ser transpassado.  A transição está num espaço, num tempo, mas é simbólica. Fechei os olhos e, por um segundo, ao abri-los me dei conta de que os campos, as árvores, as nuvens desconhecem as fronteiras. Fechei os olhos e, por um segundo, esqueci que não estou mais in home.

Sobre a estrada

Olhando a estrada agora tudo parece muito igual… Mas, aos poucos, bem sutilmente a paisagem vai se modificando, tomando novas formas, desviando-se do habitual. É chegada a hora de saber que estamos longe do ninho.

Agora compreendo porque a estrada inspira! Poetas, analistas, aristas, magos… A estrada é sempre aquele caminho já traçado, pronto apenas a ser percorrido; há a consciente e confusa lembrança do que passou e há a expectativa inconsciente e incerta do que virá.

Acidentes, animais, buracos, contratempos, caminhoneiros, habitações, atentos, postos, pontes, construção paisagem… A estrada é o meio: gentil que corta bruscamente a paisagem à sua volta incorporando-se a ela de modo a pensarmos que sempre existiu. A estrada é secundária: o objeto esta na chegada.

Agora, entretanto, a estrada ganha papel pioneiro, como devera aos caminhoneiros… A estrada agora não é meio; nem objeto, nem objetivo. Não mais efêmera, não mais passageira; agora sim, essência.

INULA – Iniciativa UFBA Latina

Gente,

Muitos dos que acessam este humilde blog  já conhecem bastante sobre este projeto ao qual faço parte há mais de um ano… Trata-se de uma iniciativa de estudantes da Universidade Federal da Bahia de percorrer num período de dois meses, 9 países da América do Sul. O fato é que, algo que parecia, a princípio muito improvável, depois de muita, muita luta, saiu; conseguimos e nossa Caravana da Integração  seguiu viagem no dia 8 de janeiro. Deste modo, meu blog sofrerá uma adaptação e eu pretendo, durante o período que durar a viagem, mostrar um pouco meu olhar sobre essa fantástica aventura que  eu e todos os meus companheiros de caravana estamos prestes a vivenciar…

 

seguem algumas das primeiras fotos

 

a galera:

 

 

Nossa Casa: Inulatão

 

 

A partida…

 

O passo a passo de nossa jornada você encontra no site:

www.inulat.ufba.br

e, sobretudo, no nosso blog:

http://caravanadaintegracao.blogspot.com/

temos também um GPS onde você poderá acessar ao vivo em que lugar do mundo estaremos!

enfim, é isso… espero que se divirtam e, de algum modo, viagem com a gente

obs: os créditos destas belas fotos são de Mariana Hish www.marianawho.blogspot.com