Ciclos

Antes que vocês leiam esse post, quero dizer que há aqui uma situação especial. Eu o escrevi ontem, quando estava muito triste, mas uma queda de intenet me impossibilitou de postá-lo… Hoje, entretanto, quem diria, tudo aquilo que escrevi já não tem mais o mesmo sentido.  É Natal, porra! A data mais esperada desde que eu tenho uns 3 anos de idade e eu queria estar passando uma mensagem positiva e feliz. Mas, mesmo que tais palavras que se seguem pareçam meio melodramáticas, decidi postá-las!

FELIZ NATAL A TODOS QUE GENTILMENTE PASSAM POR AQUI DE VEZ EM QUANDO PARA LER MINHAS BOBAGENS!

Ciclos

Um grande amigo me disse para respeitar os ciclos que se abrem e se fecham o tempo todo. Mas, confesso, no momento em que ele me falou, estava ansiosa em saber tantas outras coisas que sequer pude compreender o significado daquilo. E, para ser sincera, há anos tem sido assim: ele fala lá entre seus códigos e algum tempo depois aquelas palavras me consomem a alma! CICLOS… Esta palavra rodou entre meus pensamentos, como se não encontrasse espaço para acalmar-se entre tantos outros devidamente assentados; estava inquieta, como se buscasse algo além do seu sentido mais que óbvio. CICLOS… Aos poucos, como num estalo, tudo parecia um pouco mais claro… Uma caminhada na Praça do Campo Grande entre o pipoqueiro, o aposentado lendo seu jornal matinal e a esportista de meia idade e…

__ Ah sim, é verdade, agora compreendo! Quer dizer, agora, minimamente, compreendo…

Para além do velho óbvio de que o universo, em alguma instância, é regido por ciclos [como aqueles do nascimento à morte, ou aqueles outros de leis astronômicas universais] o que significa respeitar os ciclos? Significa que eles têm uma projeção calculável onde/quando começam e onde/quando exatamente vão terminar? De repente eu percebo justamente o contrário… Não dá para apressá-los ou interrompê-los, mas talvez, simplesmente, eles não acabem no momento mais conveniente…

__Talvez, em alguns casos, não respeitar os ciclos seja justamente não compreender quando eles se fecham…

Ciclos… Haverá, quem sabe, aqueles que sequer se completam? Se sim, por estes, lamentemos. Afinal, a possibilidade não concretizada não é sempre mais sublime e atraente do que a dura realidade da experiência finda? Lamentar, neste caso, é o caminho coerente e natural. Mas não, não lamentemos por aqueles ciclos que se fecham em momentos pouco convenientes… Eles rompem nossas convicções de espaço/temporalidade e isso causa certo incômodo. Mas não duvide que eles se fecharam! Ora, há que se convir, há certos ciclos que rompem essa necessidade infame e quase viciante que detemos dos tais ritos de passagem. Estes, sim, são ciclos perigosos! Saem pelas portas dos fundos sem que percebamos; sem que, de algum modo, notemos o seu findar… Não será talvez por isso que precisamos desesperadamente das cerimônias de casamentos, aniversários e funerais? Não servem estas para que não se reste a menor dúvida que um ciclo se fechou? E quanto às despedidas? Não precisamos, assustadora e mais desesperadamente ainda, destas tão concretas e, ao mesmo tempo, tão simbólicas despedidas? Necessitamos da carnalidade: pele-a-pele, olho-no-olho como se assim fosse mais fácil crer… Sim, crer.

Mas se eu pudesse dizê-lo, naquele momento, que o problema não está no fato de que os ciclos se fecham? E se eu pudesse dizê-lo que isto não funciona como uma equação binominal entre respeitar ou não os ciclos? Eu o diria: ‘você está enganado!’. E aquilo não consumiria mais a minha alma e sim a dele. Tudo, afinal, não se acaba? O problema não está no findar e sim na dúvida.  Sim, eu diria com muita certeza, mas naquele dia não pude, pois só hoje descobri o quanto a dúvida corrói e a certeza liberta! E somente agora, no exato momento em que estas linhas são digitadas sobre a tela, tenho a leve sensação de que a tal palavra ‘ciclos’ se assentou, em seu pleno sentido, entre meus pensamentos.

Findos também todos os mistérios! Como uma poderosa droga injetada na veia, não seria esse tal vício pelos ritos de passagem, a gostosa sensação de pleno controle sobre todos os ciclos que nos rodeiam? Passaremos, para tantos, mais um natal; depois, a tantos outros, mais um réveillon… E, quando tudo passar, também passaremos – com a certeza que mais um ciclo se fechou. Aí então, a partir da meia noite e um segundo do dia primeiro de janeiro de dois mil e onze, atiraremos todas aquelas promessas do ciclo que se fechou na linha do passado inatingível sem nos preocuparmos muito com nossas frustrações. Refaremos todos os nossos planos para o novo ciclo que se inicia com a clara certeza do que caberá ao futuro e daquilo que sobreviverá apenas como lembrança de um passado cada vez mais longínquo…

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Natal com os sogros…

Hoje, 1° de Dezembro, dia muito especial, pois é o início do mês mais legal do ano… Tem Natal, tem ano novo, tem comidas gostosas, tem queijo de cuia que eu adoro e tem as clássicas lembranças natalinas junto à família! Sim, Natal é o típico momento de recordar e, por este motivo, hoje acordei toda serelepe recordando dos momentos mais inesquecíveis dos Dezembros passados. Em meio a preciosas recordações, recordei de uma não tão preciosa assim…

Gente, vou contar, que situação mais ridícula! Estava no supermercado com meu namorado, minha cunhada, minha sogra, meu sogro; enfim… Com a família toda! Era véspera de Natal e o supermercado estava para fechar; então todos retardatários corriam para levar aqueles apetrechos básicos da ceia antes que fosse tarde demais. O supermercado estava super, super cheio, pois, ao que parece, todos adoram deixar as coisas para o ultimo momento…

Pois bem, quando estávamos bem na sessão mais procurada: a do peru de natal, eis que a luz se apaga num completo breu! Vocês conseguem imaginar o que é se encontrar completamente às escuras num supermercado lotado em plena véspera do natal? Eu imaginei que uma tragédia aconteceria! Imaginei que todos correriam com seus perus nas mãos a fim de garantir a ceia, imaginei pessoas correndo e gritando desesperadas com medo de perder o natal, imaginei o caos, a completa barbárie…

O que eu acho mais interessante no ser humano é grande capacidade que nós temos de racionalizar em momentos de crise… Mesmo que, em ultima instância, na hora do desespero, parecemos ter atitudes irracionais, essas atitudes são racionalmente calculadas para garantir o auto-controle necessário à sobrevivência da raça humana. Assim sendo, agindo em plena racionalidade e de acordo com as providencias possível em momentos de crise, fechei os olhos e dei um estrondoso e agudo grito de desespero.

– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Entretanto, para meu azar, ao abrir os olhos, me dei conta que a luz já havia voltado e que eu fora a única pessoa em todo o supermercado a entrar em crise… Como as pessoas não puderam compreender aquele delicado momento essencial à sobrevivência da espécie? Sogro, sogra, cunhada, cunhado, namorado, padeiro, funcionários, clientes e perus… A cena se congela e, naquele rápido instante, o supermercado inteiro me olhou com olhar de condenação como se eu fosse alguma espécie de desequilibrada, só porque eu permaneci gritando alguns segundos após a luz ter voltado…

É… Assim foi o meu primeiro Natal com os sogros… E ultimo, diga-se de passagem!